A teoria da perfeição

Postado em 1 de novembro de 2017 por Andreia Modesto

Um dos maiores fatores de sofrimento é a idealização:  a fantasia de que um dia as coisas vão sair exatamente do modo como desejamos.  Talvez sim, se além da vontade arregaçarmos  as mangas e começarmos a construir a história, sabendo fazer algumas concessões, já que no plano material existem sempre distorções do que havíamos primeiro imaginado. Se na imaginação posso voar livremente, na matéria,  preciso de um Boeing ou paraquedas.

Lidar com a possibilidade de “fracasso” (para quem acredita em fracasso e sucesso) em diferentes áreas da vida é uma prova de fogo até para os mais espiritualizados, que frequentemente se cobram  proezas e atitudes que muitos santos não dariam conta.

As pessoas “falham”. Falham com elas mesmas e com as outras. Nem sabem que estão falhando, acham que vão ganhar de goleada e fazem três gols contra.

As noções de “erro e acerto” são relativas, por cultura, tempo e idades. Mas, acreditar que a vida seja um processo de  apenas “acertos”,  um atrás do outro, pode ser  o primeiro grande erro.

A ideia de “perfeição” foi a teoria  do alemão Adolf que deixou marcas inesquecíveis na Europa. A ideia de “melhores e piores”, “inferiores e superiores” só pode causar sofrimento e destruição, seja a comparação entre duas culturas diferentes, entre dois irmãos, entre marido e mulher, entre dois amigos.

Estamos tentando fazer o melhor. Dentro do nosso tão grande e tão limitado poder! Estamos tentando melhorar e vamos continuar tentando. Mas, na hora que a vaidade ou o ego inflado nos sussurrar que somos os melhores ou estamos muito perto da perfeição, é hora de ligar o farol vermelho e fazer tocar todas as sirenes.

Ganhar ou perder geralmente depende dos parâmetros estabelecidos. O mais importante é continuar expandindo a consciência e criando chances de ter experiências transformadoras, para além de seus limites. Mas, se em alguns momentos você quiser simplesmente observar e deixar acontecer, não existe nada de errado nisso. Deixe os outros teorizando e vivendo debates acalorados enquanto você sintoniza paz dentro de você mesmo. A ventania, o  furacão, a brisa e a calmaria são expressões da vida.