Astrodestino – Mapa Astral – Preto no branco ou degradé

Postado em 16 de março de 2011 por Andreia Modesto

Não é raro que alguém descubra na primeira consulta astrológica que pertence a outro signo. Mas isto não tem nada a ver com o zodíaco sideral. São as pessoas que nasceram na virada de um signo para outro, ou seja, “nascidas na cúspide”, refletindo a transição de um tipo de energia para outra, acumulando as influências dos dois signos.

Não são apenas os “nascidos na cúspide” que podem ter “crises de identidade astrológica”. Ninguém se identifica cem por cento com o signo solar e o ideal é que se encontre um ponto de harmonia entre Sol, Lua e Ascendente, incorporando ainda a Roda da Fortuna e o Meio-do-Céu, além do regente do signo ascendente que pode dizer muito sobre aquela pessoa.

Então você pode ser bem geminiano na carreira, publicitário criativo ou gerente de vendas mas pode ser bem capricorniano no amor, procurando estabilidade numa relação conservadora. Escorpião na espiritualidade, desenvolvendo a mediunidade, Câncer com os filhos, protegendo e nutrindo emocionalmente, às vezes mimando muito. Virginiano com a saúde, fazendo exames e cuidando da alimentação, leonino com os amigos, seletivo mas dedicado.

Os nascidos na cúspide podem se apresentar aos amigos de vários modos. O Sol sempre aponta para um determinado grau. Então, é possível dizer que: “Meu Sol está ainda a 29 graus 58 minutos de Câncer mas eu me sinto também muito leonino porque já incorporo as influências do signo seguinte”.

Existe uma concentração maior de energia nas “viradas” de um signo para outro. Existe uma riqueza maior e não vale apenas para o signo solar mas para qualquer planeta e para os graus dos quatro ângulos, a saber, Ascendente-Descendente e Meio-do-Céu-Fundo-do-Céu.

Na verdade, a órbita que se usa para afirmar que alguém é nascido na cúspide, é de 5-6 graus. Quem nasceu em 19 de março, já é considerado cúspide Peixes-Áries. Quem nasceu em 24 de março está no mesmo pacote.

É curioso perceber que a maior parte das pessoas tem dificuldade em reconhecer que expressa uma energia de transição. Parece que gostariam de poder expressar a identidade com um contorno mais definido: “Sou um Sagitário típico”. A expressão comportaria, em teoria, mais segurança sobre si mesmo.

Algumas cúspides são especialmente “fortes” no que diz respeito a personalidade, sobretudo Peixes-Áries, Áries-Touro, Leão-Virgem, Escorpião-Sagitário. A cúspide Gêmeos-Câncer possui um grau de criatividade enorme se destacando nas artes. O carisma Câncer-Leão produz pessoas encantadoras.

As crises de identidade podem ocorrer também em função da estrutura do mapa:

Sol em Leão na casa 7 – Ascendente e Marte em Aquário na primeira casa

Os nascidos na virada da Lua Cheia possuem Sol e Lua em signos opostos, o que já sugere não apenas riqueza de elementos para a personalidade como uma visão de 180 graus da vida.

Nada é “preto no branco”. Existem também as transformações que as pessoas enfrentam ao longo da vida, pelos trânsitos e progressões. Exemplo: Vênus em Capricórnio que está agora sob influência de Plutão, está aprendendo a amar de uma outra maneira, menos controladora. O Marte em Áries que está sendo sacudido por Urano e Plutão, se torna mais tolerante e participativo nos relacionamentos depois de tal influência.

Procurando um texto para falar sobre as transformações que vivemos ao longo da vida e a necessidade de quebrar qualquer rigidez, pois não há nada melhor do que reconhecer que éramos assim mas hoje estamos diferentes, acabei encontrando outra coisa. Um texto sobre a “fugacidade da fortuna”, simples e belo. Não seria o mais adequado para fechar a postagem mas quem sabe, perfeito para inspirar a próxima:

“Não imagines que um homem é feliz quando o seu equilíbrio depende da felicidade material. Quem faz o seu contentamento provir daquilo que vem de fora apóia-se em bases frágeis. Toda alegria que assim entra irá embora, mas aquela que nasce de si é segura e sólida; ela aumenta e acompanha nossa caminhada até o fim.

Quanto aos bens tão admirados pelo vulgo, não são bens senão por um dia. “Mas então não podemos encontrar aí proveito e prazer?” Ninguém nega, desde que eles dependam de nós e não nós deles.

Tudo o que provém da fortuna não traz fruto algum, nenhuma satisfação, se o possessor não possui a si mesmo e não toma posse daquilo que lhe pertence.

É um abuso, Lucílio, supor que a fortuna tenha o poder de nos fazer o bem ou o mal; ela fornece a matéria de nossos bens e de nossos males, os elementos daquilo que junto de nós se desenvolverá em bem ou mal.

Pois a alma é mais poderosa que todos os esforços da fortuna. No bom ou no mau sentido, a alma dirige os seus destinos soberanamente e não deve senão a ela própria sua felicidade ou miséria.

Se é má, transforma tudo num mal, mesmo aquilo que se apresenta sob a aparência do maior bem; se é reta e sã, corrige todos os erros da fortuna, ameniza seus rigores praticando a arte da tolerância, acolhendo com reconhecimento e modéstia a prosperidade e com firmeza e valentia as desgraças.”

Sêneca – Aprendendo a viver – Martins Fontes

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