Astrodestino – Nasrudin

Postado em 6 de fevereiro de 2011 por Andreia Modesto

Não entendi direito ainda qual é a “pegada” do sufismo mas as histórias de Nasrudin são ótimas. O livro é “Nasrudin – 99 contos”, Editora Caravana de Livros, boa dica de presente também.

Na verdade eu procurava uma outra história que não tem nada a ver com o sufismo. É a história de dois homens que esperam pela morte dividindo o mesmo quarto num hospital.

Um deles ocupa a cama ao lado da janela e passa o dia inteiro descrevendo a grande praça com árvores e chafariz, casais, crianças e velhinhos, gatos e cachorros, bolas de gás e de sabão, a pequena quadra de futebol, guardas, apitos, carrinhos de pipoca e algodão-doce, a vendedora de flores, situações inusitadas, cada dia uma história diferente, enquanto que seu colega, fraco e resignado do outro lado do quarto passa o dia ouvindo seu relato e tendo uma ponta de inveja por não ter essa vista para se distrair um pouco mais.

Até que o doente que ficava ao lado da janela acaba falecendo e seu colega pede que o troquem de lugar. Ao ocupar a cama junto à janela, descobre que não existe nenhuma vista além do muro cinza do prédio ao lado.

Não consegui encontrar a tal história e nem recordo se realmente eu li ou alguém me contou, de modo que não faço a menor idéia de quem seja a autoria. Mas quem procura acha e encontrei Nasrudin que também tem muito o que contar.


“Nasrudin foi à capital fechar um excelente negócio que transformaria sua vida material de forma significativa. Lá chegando, foi à procura de um lugar para deixar o seu burro, e nada.

Deu voltas e mais voltas sem sucesso. O horário de seu compromisso já se aproximava e Nasrudin se desesperava. Fez uma prece a Deus:

– Senhor! Por favor, ajude-me a encontrar um lugar onde possa deixar meu burro. Se o Senhor me ajudar, prometo que me dedicarei mais ao serviço do Senhor, serei mais generoso, ajudarei os outros com mais freqüência e me recordarei constantemente de Ti.

Mal pensou dessa forma, surgiu um lugar ideal para deixar seu burrico, muito próximo ao local de seu encontro.

Nasrudin, quando viu que havia conseguido, disse:

– Meu Deus, não precisa se incomodar mais, pois já encontrei um lugar!”

2 Comentários

  • Admin: Lee 7 de fevereiro de 2011 em 17:18

    Muito legal o conto. Aliás, achei o que vc estava procurando: http://www.minutodesabedoria.com.br/conteudo/midias/mensagens_do_minuto_1654.asp

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  • 8 de fevereiro de 2011 em 11:13

    Este conto é especial. Realmente para fazer refletir. O doente que reclamava passou para o leito do outro que descrevia coisas lindas e
    nada reclamava.
    Ele via com o coração, pois era cego.
    Penso que como dizem os cabalistas o"lashon hara" (reclamar, se queixar, mal dizer de tudo e todos) é algo a se trabalhar muito.
    Pelo menos tentar ter consciência ja é um passo .
    Confesso que estou tentando me livrar mas não é nada fácil.
    Vamos em frente.
    Beijos com carinho,
    Bernadete

    Responder

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