Crianças sírias

Postado em 19 de agosto de 2016 por Andreia Modesto

Dizem que o nascimento de uma criança é a prova de que Deus continua acreditando nos homens. As crianças, espontâneas, livre e alegres, são o símbolo do que o homem tem de positivo dentro de si. Espiritualistas dizem que o espírito só ancora no corpo totalmente aos sete anos e que até essa idade é comum que algumas crianças vejam espíritos e tenham ainda uma conexão muito forte com o mundo espiritual.

Na Astrologia, o signo de Leão é o signo das crianças. E de todo processo criativo, do teatro, do corpo, do prazer em estar vivo e se expressar de um modo próprio, original, diferente, sentindo essa vibração de ser “único” no universo.

Sociedades que têm ênfase no signo de Leão costumam valorizar as crianças e cuidar da educação delas com primor. Existe toda uma literatura em que as crianças ocupam o primeiro plano, expressando o bem e o mal contido no humano e talvez seja “Oliver Twist” de Charles Dickens o melhor exemplo do herói-menino.

Sei que já vi muitas crianças pobres, sujas, esfarrapadas nos faróis, nos colos de mães que mendigavam na rua, sei que aqui são vítimas de balas perdidas, pais violentos, alcoolatras, vítimas do tráfico, do abandono da família e da sociedade que não oferece educação ou modelos. O menino João Hélio Fernandes de seis anos arrastado pelo cinto de segurança durante sete quilômetros num assalto no Rio em 2009 me assombra até hoje.

A imagem de Onram Daqneesh aos cinco anos, em estado de choque, mobilizou o mundo todo e em meio a todos os problemas que enfrentamos, no meio da alegria dos atletas olímpicos, é preciso encontrar espaço para registrar o horror. A imagem que fala mais do que milhões de palavras. Que só inspira o pavor e o silêncio em respeito a tanta dor num corpo ainda tão pequeno.

No final do ano passado, o corpo pequenino de Alan Kurdi de três anos, vestindo blusa vermelha e bermuda azul, caído na praia, parecia um boneco sem vida e despertou a comoção do mundo diante da tragédia dos sírios.

Agora, o valente Onram nos encara e não há como deixar de sentir muita tristeza e culpa por tudo o que fazemos com nossas crianças, não importa que tipo de guerra aconteça. Continuamos matando por ideais e discursos vazios, dinheiro, poder, territórios, egos, patrimônios, ciúmes, inveja…roubando o dinheiro da “merenda escolar” para enriquecimento próprio, transformando a infância e a juventude em desamparo e desespero.

“Não pode haver revelação mais aguda da alma de uma sociedade do que a forma como trata os seus filhos.”
– Nelson Mandela

Uma pessoa é uma pessoa, não importa quão pequena seja.”
– Dr. Seuss

“As crianças são propensas a viver de acordo com o que você acredita delas.”
– Lady Bird Johnson

“Nós nos preocupamos com o que uma criança se tornará amanhã, mas nos esquecemos que ela é alguém hoje.”
– Stacia Tauscher

“As crianças não são coisas a serem moldadas, mas são pessoas a serem desenvolvidas”.
– Jess Lair, autor

“Cada dia de nossas vidas nós fazemos depósitos nos bancos de memória de nossos filhos.”
– Charles R. Swindoll

“É mais fácil construir crianças fortes do que para reparar homens quebrados.”
– Frederick Douglass

“As crianças precisam de modelos, em vez de críticas.”
– Joseph Joubert