19 de março – Dia de São José. Lua Crescente. Dica de livro.

Postado em 18 de março de 2013 por Andreia Modesto

Amanhã, dia 19 de março, é Lua Crescente, formada às 14 horas 27 minutos. Lua na cúspide Gêmeos-Câncer, 29 graus de Gêmeos, formando um ângulo de 90 graus com o Sol na cúspide Peixes-Áries, 29 graus de Peixes.

Já citei, na última postagem,  a importância do dia 20 de março, com a abertura do Sol em Áries, o ano astrológico, às 8 horas 02 minutos, o que significa equinócio de outono no hemisfério sul e equinócio da primavera no hemisfério norte.

A Lua Cheia acontecerá em 27 de março, 6 horas 27 minutos, Sol em Áries, Lua em Libra, o eixo dos relacionamentos.

Amanhã, na entrada da Lua Crescente, símbolo de vigor e fertilidade, o céu mostra aspectos fortes como Urano-Marte em Áries recebendo quadratura de Plutão mas também a posição de Vênus em Peixes e a conjunção Netuno-Mercúrio, que recebe quadratura de Júpiter em Gêmeos.

Ação, fricção, tensão, sensibilidade e motivação.

Mas o dia 19 de março é também o dia de São José. Tenho pensado em dar dicas sobre livros e um dos livros mais bonitos que já li é sobre São José, de autoria de Leonardo Boff, Editora Vozes.

O livro aborda a figura de São José e sua importância como patrono do trabalho e da família. Vou recortar alguns trechos para a reflexão dos leitores. É um excelente presente para os pais dedicados, amorosos e responsáveis, tão raros,  desde sempre.

“O que se pode dizer sensatamente sobre São José?  Dele não temos nenhuma palavra. Nossa cultura e  teologia são feitas em grande parte de palavras faladas e escritas. Faltando estas, a memória se perde, a inteligência se ofusca e somos entregues ao imaginário que, notoriamente, não tem censura nem limites.

Por essa razão São José não encontrou ainda seu lugar dentro da reflexão teológica…Ele pertence antes à piedade popular que à meditação dos papas, teólogos e dos estratos letrados do cristianismo. Mesmo assim, milhões de pessoas, de instituições e de lugares levam seu nome: José.”

“A figura de São José está cercada de ambigüidades. Por um lado é o bom José, esposo de Maria, o pai de Jesus, o trabalhador. Tem um lugar de carinho no coração dos fiéis. Milhões e milhões de pessoas da cultura ocidental e, hoje mundial,  levam o nome de José. Centenas de movimentos religiosos, seja de pessoas consagradas a Deus, seja de leigos no meio do mundo, têm São José como patrono. Cidades, praças, ruas, pontes, hospitais, escolas e principalmente igrejas têm o nome de São José. Ele entrou na paisagem de nossa cultura, da familiar à pública.

Por outro, São José é o protótipo da pessoa apenas coadjuvante, silenciosa e anônima, cuja vida pouco conhecemos. Ninguém sabe quem foi exatamente seu pai, sua mãe, nem com que idade noivou e casou com Maria, nem como e quando morreu. Ele é uma sombra, embora benfazeja.”

“Não saem nunca de nossos olhos as cenas idílicas do Natal e do presépio, onde o Menino, colocado entre o boi e o asno, é ladeado por Maria e José, inclinados e reverentes diando do Mistério do enternecimento divino. Da mesma forma, o bom velhinho segurando o menino Jesus em seus braços, olhando-o com carinho e pasmo, pois sabe que carrega um mistério.”

“…o silêncio de José é o silêncio de todo trabalhador. A fala do trabalhador são suas mãos e não sua boca. Quando trabalhamos, silenciamos, pois nos concentramos nas mãos e no objeto de nosso trabalho. O trabalho pertence à essência do ser humano. Pelo trabalho moldamos a nós mesmos, já que ninguém nasce pronto, mas deve completar a obra que a criação e o Criador começaram.

Pelo trabalho plasmamos o mundo, transformando-o em paisagem humana, em cultura, garantindo nosso sustento. Pelo trabalho criamos um mundo que jamais emergiria sozinho pelas forças da evolução, por mais complexas e criativas que estas sejam.

Sem o trabalho humano jamais teria surgido uma casa de madeira ou de pedra, jamais teria sido escrito o Livro Sagrado, jamais teríamos inventado um carro, um avião e um foguete que nos levou à Lua.

O trabalho criou todos os valores no mundo. E foi feito no silêncio daquele que pensou. No silêncio das mãos que executaram o que se pensou.

O silêncio de José se insere no seio desta torrente de vida e de sentido representada pelo trabalho. Diz mais verdade quem afirma: “José foi um trabalhador, um artesão-carpinteiro”, do que aquele que simplesmente diz: “José foi o protetor do Verbo da vida”, pois ele foi protetor do Verbo da vida enquanto foi o trabalhador que, com seu trabalho, garantiu o sustento da vida da Vida encarnada em nossas vidas.”

“Pertence ao pai fazer compreender ao filho que a vida não é só aconchego, mas também trabalho, que não é só bondade, mas também conflito, que não há apenas sucesso, mas também fracasso, que não há tão somente ganhos, mas também perdas.

Se a mãe tende a realizar os desejos do filho/filha, se os programas de entretenimento da televisão exacerbam o desejo, fazendo crer que só o céu é o limite, cabe ao pai mostrar que em tudo há limite e conveniência, que todos somos seres de implenitude, limitação e mortalidade, mesmo que o filho/filha o considere chato e insuportável. Operar esta verdadeira pedagogia desconfortável, mas vital, é atender ao chamado do princípio antropológico do pai.”

“O que acontece quando o pai está ausente na família ou há uma família apenas materna?  Os filhos parecem mutilados, pois se mostram inseguros e incapazes de definir um projeto de vida. Têm enorme dificuldade em aceitar o princípio de autoridade e a existência de limites. Alguma coisa está quebrada dentro deles.”

Leonardo Boff – São José, o pai, o artesão e o educador. Ed. Vozes