Eixo Touro-Escorpião

Postado em 11 de maio de 2015 por Andreia Modesto

* pintura de Fernando Botero, colombiano nascido em 19/04/1932 – cúspide Áries-Touro

Nunca fomos tão bonitos e nunca fomos tão superficiais.Não faltam recursos para que consigamos manter um visual jovem e belo, se pudermos pagar. A valorização da beleza remonta a Grécia Antiga, onde o ideal era aproximar-se de Apolo e com certo temor, de Afrodite. Mas nem só da bela pedra de mármore vivia a Grécia, com um legado de cultura que nos invade, graças a Deus, até os dias de hoje.

Se para Platão toda a beleza do mundo material era tão somente um reflexo da beleza superior e imortal de outro mundo, aqui e agora, temos que tomar cuidado com o famoso ditado: “Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”.

Touro e Escorpião formam o eixo da beleza e da sensualidade. Mas, não é só isso. É um eixo complexo, envolvendo o conceito de “duração” e todo processo de eliminação e transformação. Durar? Até quando?

O que é realmente duradouro no mundo material? Nada, nem o próprio mundo. Mas, quando um arquiteto constrói uma praça, não a constrói para que seja destruída em algumas horas, meses ou anos. Peças milenares sobrevivem ao tempo e são testemunhas da História, podendo levantar e derrubar hipóteses.

Uma passagem do Eclesiastes é particularmente bela sobre o tema da DURAÇÃO:

4 Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
5 Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
7 Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
8 Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
9 O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

Touro recolhe, guarda, mantém, recupera, conserta, cuida, preserva. É um signo de grandes mães, do princípio feminino receptivo, amoroso e generoso, pois a grande maioria dos “nascidos em Touro” que eu conheço, são generosos sim. Sobretudo as mulheres, mas, sabem que desperdício é bobagem. E por isso, dosam o amor, o dinheiro, o tempo, com sabedoria. Não gostam de desperdiçar, dispersar ou perder. Concentrar é um verbo que agrada a Touro. Concentração de energias dentro da semente que precisa de tempo e de cuidados para se transformar em flor.

Escorpião do outro lado, abre mão, recusa, elimina, transforma, joga fora, talvez porque enjoou, talvez porque não vê nenhuma utilidade, talvez porque lhe cause angústias guardar algo que remete a fases de sua vida que já não voltam mais. E em alguns momentos, não é hora de bancar o colecionador. Melhor jogar fora todas as fotos daqueles que machucaram, magoaram ou mentiram. Recuerdos? Só mesmo se trouxerem alegrias. Mesmo assim, muitos Escorpiões têm medo de se prender ao passado e depois de algum tempo, passam adiante…

Bom, melhor falar através dos outros. Comparar algumas colocações, comparar alguns conceitos.


Aquele que amar apaixonadamente Jesus escondido nas forças que fazem a Terra crescer, a Terra, maternalmente, o levantará em seus braços gigantes, e o fará contemplar a face de Deus.
Teilhard de Chardin

Nascido em 01 de maio de 1881, Teilhard de Chardin foi jesuíta, filósofo, teólogo e paleontólogo, defendendo a união entre Ciência e Religião, reconhecendo a presença de Deus em cada grão da Terra, exaltando o homem, exaltando toda a experiência humana que possa parecer “pequena” como o trabalho do cotidiano e o encontro entre um homem e uma mulher. Vendo sempre que tudo o que acontece na Terra tem uma dimensão superior e ajuda a Humanidade a evoluir.


O segredo da existência humana reside não só em viver mas também em saber para que se vive.

Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…

É melhor ser infeliz, mas estar inteirado disso, do que ser feliz e viver como um idiota.
Fiódor Dostoiévski

Dostoiévski, um homem de vícios e grandes perdas na vida, nasceu sob o signo de Escorpião, em 11 de novembro de 1821, um dos maiores romancistas de todos os tempos. Profundo, angustiado com questões como a morte e o sentido maior da vida, criou personagens marcantes, que se confrontam, como ele, com dores, tragédias e continuam se perguntando por um significado maior para tudo.

Uma imagem que poderia sintetizar o eixo Touro-Escorpião seria um pic-nic no campo, próximo a um lago. A imagem bucólica, plena de satisfação. Então, um dos amigos participantes, se levantaria ansioso e diria: – Bom, e agora? O que temos a descobrir pela frente? – E enquanto os outros fizessem taurinamente a “siesta”, dando espaço para a preguiça gostosa depois de pães, queijos e vinhos, ele sairia buscando novidades fosse uma joaninha cor violeta ou uma minhoca laranja, capazes de suscitar descobertas e surpresas.

Um signo completa o outro, signos opostos são expressões diferentes de uma mesma questão. VIDA-MORTE, eixo Touro-Escorpião. Duração-finitude. E é sempre importante lembrar que para se tornar bela e vigorosa, a árvore precisa ser podada corretamente. O corte renova a vida que volta a se expressar com mais força do que nunca.