Era de Aquário

Postado em 5 de junho de 2017 por Andreia Modesto

A condição humana é extremamente vulnerável, animal sem pelo ou garras, que se orgulha de ser o que é. Produz ferramentas, sobrevive, inventa e prossegue, produzindo também teorias sobre si mesmo. Nasceu dos macacos, filho da terra. Nasceu dos deuses, filho dos céus.

Uma citação de Rumi me chamou atenção outro dia: “O anjo se salva pelo conhecimento. O animal é perdoado pela ignorância. No meio dos dois, o homem vive em conflito”.

E o homem cria, com certeza, a maior parte de seus problemas. Por acreditar que existe um deus ou pai que seja só dele, ou por acreditar que o mundo gire em torno do seu umbigo, ou por querer que todo o universo se curve à sua vontade.

Um dos sinais da Era de Aquário é a percepção clara do que é a “identidade humana”. Para além de línguas e geografias, a raça humana se integra para a resolução dos problemas que ela própria criou. Alguns clamam por discos-voadores. Outros seguem velhos gurus e repetem fórmulas conhecidas, com propagandas bombardeando de todos os lados.

A Era de Aquário, que pelos cálculos mais rígidos ainda nem teria começado, promete uma fase de renascimento e humanismo. Mas sem o homem como o foco de tudo, pois ele dá as mãos para a natureza e toda a expressão de vida ao seu redor. Com chips, natureza interligada, o controle para o bem estar de todos, conexão de bytes e coração. Quer ouvir, ao invés de controlar. Quer participar, ao invés de dominar.

Reflexão e atitude. Dispensando o individualismo que marcou os últimos dois mil anos, durante os quais até deus foi um só, único e com os seus “escolhidos”, cartão-fidelidade para um clube exclusivo.

A vida está aí e todas as suas possibilidades e mistérios, abrindo-se para aqueles que se entregam para ela de coração aberto. Sem rótulos, geografias, raças ou exigências. Não é um processo fácil, mas é para onde estamos indo. E a maior verdade será aquela que considera o bem estar da maior parte das pessoas, ao invés de valorizar o conforto de um grupo pequeno.

É um processo. Tenho a esperança de que algumas gerações à frente poderão desfrutar de governos descentralizados e relações equilibradas e respeitosas entre todos. Porque sei que para quem já tem “certa idade”, fica fácil perceber os avanços em muitas áreas e a possibilidade de se viver de um modo mais livre.

É caminho longo e lento para o tanto de sofrimento por esse caminho. Mas é irreversível, profetizado e desejado pela maioria. “Você precisa ter poder para fazer coisas que podem prejudicar a outros; mas para fazer todo o resto, só precisa ter amor.” – Chaplin