Libra, escolhas, vibração do número 2 e os homens pedindo preliminares…

Postado em 16 de outubro de 2015 por Andreia Modesto

“Cada um que passa em nossa vida, passa só, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa só. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si.” Saint-Exupery

Libra, o signo representado pela balança, pode ser associado ao número dois. “O 2 simboliza o outro, a alternativa desejável, o polo oposto que atrai, a liberdade de decisão, mas também a ambivalência, a dúvida, o antagonismo…as pessoas tinham antigamente a consciência de que todas as coisas possuem dois lados, que um pressupõe o outro, e que não faz sentido desejar um e temer o outro…” Banzhaf

Dois caminhos, dois amores, duas carreiras, e agora???
Caminho na beira do mar ou tomo banho de cachoeira na montanha?
Dia ou noite? Frio ou quente? Redondo ou quadrado? Úmido ou seco?

Diz Platão na obra “O Banquete”, que os humanos eram originalmente de três tipos: homens, mulheres e andróginos. Zeus, querendo puni-los por algumas irreverências, divide-os ao meio de modo que se tornem mais frágeis. E então, cada uma das partes passará a vida procurando pela outra metade original.

Um homem procurará pelo outro homem, se era originalmente a união de dois homens; uma mulher buscará pela outra metade feminina, e homens e mulheres se buscarão ansiosamente, tentando recuperar o andrógino que foram um dia. Mas essa busca incansável não é uma busca sexual, mas a busca pela alma do outro, um encontro mais profundo, um desejo de união que transcende a carne, para que ambos possam voltar a ser um completo.

Já li muitas vezes que o amor é uma experiência absolutamente subjetiva. E que o “outro” não tem muito a ver com esse sentimento tão forte. Ou seja, amar é uma condição, um modo de ser ou estar. Paixões terminam em 90 dias e fica difícil entender “o que é que vimos nesse outro”, que sem o véu da paixão que nos cegava, aparece do jeito como é: desprovido de qualquer encanto especial.

Numa época de transição, os casais gays conseguiram o reconhecimento da sociedade. E só eles podem dizer o quanto é importante, não somente pela dignidade do casal e pela possibilidade de assumirem e expressarem o afeto, como por questões absolutamente práticas. Se um dos parceiros adoecia, o outro não conseguia ficar no hospital ao seu lado porque “não era parente”. E depois de anos de casamento, na morte de um, o outro não tinha seus direitos reconhecidos, ainda que juntos tivessem construído todo o patrimônio.

Homens mais femininos e mais receptivos estão reclamando de mulheres que só falam de trabalho e dinheiro. Elas andam ocupadas demais e eles sentem falta de preliminares antes de fazer amor. Alguns ainda não entendem bem onde é que ficam nesse novo espaço. Os salários se equipararam e as tarefas são divididas, mas elas continuam reclamando muito.

Dizia Vinícius de Moraes, librianamente, que ele largava qualquer coisa que estivesse fazendo, para conhecer uma pessoa nova. O outro é um universo, uma história linda, uma proposta de vida. Diferente, às vezes sedução, fascínio, às vezes espanto e temor.

Seria bom se fosse mágico. Amor à primeira vista, reconhecimento das tais almas gêmeas de Platão. Podia ser fácil, mas não é. O bonitão pode ser bobo, egoísta e falar errado. O erudito pode tornar-se chato e ser ruim de cama. Aquele que parece perfeito, é bem casado. Aquele que não lhe sai da cabeça é quinze anos mais jovem.

Ele quer casar, ela precisa ainda ajudar os pais. Ela quer ir morar junto e ele ainda quer fazer um Mestrado em Londres. Filhos? Melhor congelar óvulos e decidir depois. Em quarenta metros quadrados, ele, ela e os filhos dos casamentos anteriores. A terra treme se ele não lava a louça ou deixa a toalha no chão.

E é por isso que os amores não vividos fazem tanto sucesso. O namoro dos 18 anos, o beijo, o suspiro e nunca mais. A relação não foi testada e ele permanece vivo e perfeito na cabeça dela. Quando o casamento verdadeiro de 20 anos é questionado, ele lhe aparece em sonhos e ela tem certeza que casou com o homem errado. E eu tenho certeza que se ela tivesse casado com o namoradinho da juventude, agora estaria suspirando por qualquer outro que tivesse permanecido congelado e protegido pelo fato de não ter se consumado como relação “verdadeira”, na carne, na cama, na agenda, na família, nos filhos, na conta bancária, na saúde, na paciência, na vida.

Queria postar muitas coisas sobre Libra, pois sendo o signo dos relacionamentos, trazendo a presença “do outro”, é rico e permite muitas abordagens diferentes. Mas haverá tempo para isso. Daqui a pouco o sedutor Escorpião merecerá espaço no blog. Como Libra, um signo de casamento, entrega, fusão, confiança. Além da aliança no dedo, a troca, a alquimia que permite a transformação.

Pensei em falar sobre Vênus em Libra, mas Libra permite algumas dispersões. Melhor citar o que outros disseram, já que tantos outros disseram sobre o amor e Libra sempre compara, já que é o signo do outro, os dois pratos na balança, sonho e realidade, tédio e paixão, casamento e amizade, alegrias e tristezas, afinidades e conflitos, partidas e encontros, vida e morte, será destino ou escolha?

“O amor é tecido pela natureza e bordado pela imaginação.”- Voltaire

“Devemos estar sempre apaixonados. E por isso, jamais devemos casar.” – Oscar Wilde

“Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.” – Arnaldo Jabor

“Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.” – Vinícius de Moraes