Saturno e a virada dos 30 e 60 anos – Retorno de Saturno

Postado em 15 de agosto de 2014 por Andreia Modesto

Não consigo falar sobre a morte de Eduardo Campos e nem a de Robin Williams. A promessa de uma liderança nova para o país e a recordação de “Bom dia, Vietnam”. Assim como não consegui ir buscar o planeta do infarto do Wilker, bye bye Brazil, o melhor marido de Dona Flor.

Preciso de um tempo para digerir isso tudo. Enfim, me pediram para explicar melhor o tal retorno de Saturno. O meu questionamento é se Saturno ainda vai continuar a ser o mesmo. Não existem turbulências com Saturno. Existe pressão, discernimento, razão, clareza. Anuncia a virada dos 30 anos e depois a virada dos 60 anos.

Com a adolescência prolongada até os 40 anos ou mais, fica difícil considerar que Saturno aos 30 anos, possa continuar sendo um símbolo da entrada no mundo dos adultos. Queria abrir parênteses para dizer algo que acho que já disse em alguma outra postagem das mais de oitenta páginas desse blog. Não é só Saturno que tem um trânsito de “retorno”. Quem vive mais de 84 anos já passou até mesmo pelo retorno de Urano. A Lua faz seu retorno a cada 28 dias, e se você quiser entender melhor sua vida amorosa, talvez valesse a pena acompanhar não somente o retorno de Vênus, mas quando o planeta muda de quadrante ou entra em aspecto com Sol e Lua. Enfim, o que não falta na Astrologia, são ciclos, fases novas, abertura de janelas diferentes para a vida. Sob a influência de qualquer planeta, considerando, segundo a tradição, que os trânsitos e progressões mais fortes são sobre o Ascendente (o início do mapa, o início da vida no mundo material) e mudando de casas, quadrantes ou signos). Ou, ainda, planetas começando a atuar sobre outros planetas importantes do mapa astral daquela pessoa.

Saturno pode representar a tomada de decisão que implica em consequências com as quais devemos arcar. Somos responsáveis por nós mesmos, somos responsáveis por tudo o que escolhemos. Se a vida ou outras pessoas nos impõem determinadas experiências, podemos escolher pelo menos, o modo como reagimos a tais experiências. Nós nos submetemos, aceitamos com tolerância, negamos, fugimos, refutamos, batemos de frente? Enfim, como é que escolhemos o caminho a trilhar?

Aos 40 anos de idade, muitas pessoas hoje ainda se comportam como se tivessem 17. Digo 17 anos, não de forma romântica, mas aos 17, antes do vestibular, ainda existe um sentimento de “estar fora do mundo”, ainda não se obrigar a produzir ou contribuir para muita coisa. A posição de estudante ou estagiário é sempre mais confortável, pois existem poucos deveres e algum tempo pela frente para poder amadurecer. Mas o time de hoje tem caído verde do galho. Muitas fantasias, devaneios e pouca produtividade.

É aceitável que um filho permaneça junto aos pais se os pais precisam dele. Se sua presença, apoio, ajuda financeira e emocional tornam a vida dos pais uma vida melhor. Mas o contrário me parece antinatural: ficar dentro da casa dos pais para estender a vida de dependente do outro, ou simplesmente para  usufruir do que ganha sem maiores responsabilidades diante da vida. Acredito que as coisas mudem, pois sempre pagamos algum preço pela vida.

E o melhor preço é o da verdade, da busca, do desejo de SER. E autonomia e independência, palavras de Saturno, são importantes na construção do SER que mantém valores e posturas da antiga família, caso elas sejam realmente verdadeiras, caso contrário, constrói seus próprios valores e posturas.

Vivemos mais tempo. Descobrimos aos sessenta anos que temos saúde, energia, imaginação, vontade e criatividade para viver muito mais. Parece que a vida “esticou” e que podemos aproveitar um pouco mais com o olhar dos sessenta anos, o olhar de Saturno, atento e nítido. A preparação para a virada dos 30 anos é vivida de modo tenso, mas nem sempre se decide alguma coisa.

Muitas pessoas postergam a autonomia e recomeçam estudos, não por estarem realmente motivadas numa nova direção de vida (o que é absolutamente possível e válido), mas porque, retomando os estudos e começando do zero, voltam ao patamar protegido dos estudantes e estagiários. Acho que o que pode acontecer de pior a alguém, é não viver a própria vida. Melhor uma vida sofrida, com frustrações e muito aprendizado, do que ver a vida passar em branco, desperdiçar, por medo, preguiça ou leviandade. Não acredito em pecados, mas se existirem, esse deve ser o maior de todos. Maior até mesmo do que o orgulho de ter tentado fazer o melhor e descobrir depois que muitos erros foram cometidos.

O ser humano expande a consciência. Trânsitos e progressões revelam como essa consciência se expande. Como evolui, como abre novas percepções, como consegue ver mais longe. Não querer evoluir, ficar na linha de menor esforço, fazer de conta que não tem nada de especial a fazer, me parece perda maior, a perda de si mesmo. Enfim, Saturno, mal falado e mal compreendido na Astrologia, é sempre proeminente nos mapas das pessoas que marcam a sua passagem pela vida com força. Elas se construíram e muitas vezes inspiraram outras pessoas a tentar e superar os medos. A recompensa é imensa. Não por dinheiro ou sucesso necessariamente, mas por ter a consciência de que viveram tudo o que puderam viver.

Tentaram, acreditaram, fizeram de novo, mais uma vez, valorizaram a própria vida, toparam a experiência, deram conta do recado, como se diz brincando. Erros fazem parte e nos ensinam muito. Saturno busca a perfeição, mas sabe que no plano material, estamos bem longe dela. O que importa é não se acomodar e tentar de novo. Saturno é símbolo da vida no plano material.

Quem disse que devemos plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, estava inspirado pelo planeta que embora seja pintado de tons escuros, nos segura na experiência do viver, o desejo de fazer, realizar, deixar para os outros. E isto tudo, com alguma dose de suor, momentos de irritação, paciência e muito amor.