Saturno, graças a Deus. Ciclo de 36 anos e ano regidos por Saturno.

Postado em 9 de abril de 2017 por Andreia Modesto

Morgan Freeman (01/06/37), Michael Caine (14/03/33) e Alan Arkin (26/03/34), mostram  na telona do cinema que é possível chegar e passar dos 80 anos transbordando energia positiva, fazendo o que se gosta de fazer e ainda divertindo as outras pessoas.

“Despedida Em Grande Estilo” não deixa nenhuma mensagem filosófica ao longo dos 96 minutos de filme, mas não é necessário. A mensagem inesquecível é o depoimento dos três grandes atores, vivendo intensamente o filme, se divertindo com o que fazem, e fazendo tão bem feito!

Que a vida os preserve por muito tempo e que sirvam de modelo para aqueles que aos cinquenta estão pensando em “parar”. Nada contra anos sabáticos e posturas reflexivas, mas encontrar com alguém que “parou” há uns 20 anos, deixa claro que alguma coisa saiu errada. O planejamento para a felicidade resultou numa carranca ou num olhar vazio que não condiz com o projeto de liberdade tão almejado.

Morgan Freeman é um charme e tem mais vitalidade e desejo de vida do que alguns jovens que aos 40 anos ainda estão esperando o passarinho verde lhes dizer o que fazer da vida.

Saturno, graças a Deus, símbolo da passagem do tempo, que aguça o paladar e nos torna exigentes, mais conscientes e capazes de fazer melhor cada vez mais, como os três atores mostram no filme.

Saturno como compromisso em fazer a vida, construir, oferecer, ser prestativo e responsável pela experiência oferecida. Dizem que nossas vidas são fruto do nosso próprio desejo de “manifestação no plano material” e que ninguém encarna por engano ou por acaso. Acredito nisso. E não consigo imaginar que desperdiçar a vida traga algum tipo de alívio ou compensação.

Aos que prorrogam a “juventude” achando que ser jovem é ser dependente, tolinho e vazio de ideias, é preciso lembrar que num passado não tão distante, ser jovem era ser desperto, vivíssimo, ativo, capaz de fazer muito barulho e trazer ideias novas que ajudavam o mundo a derrubar preconceitos e tentar ser melhor.

Nessa virada de ciclo, muitos se assustaram com a dupla regência de Saturno em 2017. Os cálculos feitos para a regência do ciclo de 36 anos e do ciclo anual remontam aos caldeus, antiga Babilônia, cinco mil anos AC. Alguns astrólogos modernos questionam, com razão, esse cálculo que não inclui Urano, Netuno e Plutão. Mas, tudo o que se projeta mentalmente acaba acontecendo.

Saturno, graças a Deus: felizmente termina o ciclo de 36 anos do Sol, onde “ser jovem e dourado a todo custo”, foi a meta do planeta. Cabeleiras solares, gente loura e malhada, pele brilhante, uma juventude física que pouco acrescentou ao mundo das ideias. A ditadura do corpo rígido que não mostra nenhuma cicatriz ou linhas do tempo.

Jovens esvaziados de projetos, infantilizados, impotentes, poucas experiências afetivas, pouca coragem para viver e pânico de reconhecerem que já é hora de fazer algo por eles próprios e pelo mundo ao redor. Saturno, graças a Deus, pois nunca é tarde para recomeçar, tentar mais uma vez e reconstruir os valores.

Outra dica de filme é: “Eu Não Sou Seu Negro”, que assisti na última quinta-feira, sessão “filmmelier” promovida por Miguel Barbieri (Veja São Paulo), no Reserva Cultural.

Um super documentário que pode ser assistido online também. Conta a amizade de James Baldwin (02/08/24),  escritor, dramaturgo, poeta e crítico social, com Martin Luther King (15/01/29), Malcolm X (19/05/25) e Edgar Evers (02/07/25), ativistas sociais norte-americanos. A narração é de Samuel L. Jackson (21/12/1948).

James Baldwin deixou escritos sobre os três amigos e suas diferentes personalidades, a relação com Bob Kennedy, o acirrado ódio contra os negros e os três assassinatos. Suas palavras são o trilho do roteiro, que anos depois, ainda choca. Fotos, filmes, flashes, depoimentos, discursos e a promessa cumprida de um dia um presidente negro nos EUA. Um filme para rever frequentemente.

Luther King, Malcolm X e Evers não chegaram aos 80 anos, mas são eternos,  na juventude e coragem. O problema é que o ódio e o racismo são também eternos. Aqueles que assassinaram os três ativistas talvez já não estejam por aqui, mas se renovaram com certeza, nos votos daqueles que foram capazes de eleger Donald Trump.