Signos e contos de fadas: Câncer, Escorpião e Peixes – Elemento água

Postado em 7 de março de 2017 por Andreia Modesto

Câncer, Escorpião e Peixes, signos do elemento água, transbordam na simbologia. Signos de sentimento, emoção e transcendência, despertam para o mistério e a entrega à vida.

Câncer – Família e afeto. Cachinhos Dourados poderia se chamar “Invasão de Privacidade”. A menina entra na casa da família urso, experimenta todas as cadeiras e comidas e de barriguinha cheia, tendo devorado o mingau do filho urso, capota na caminha dele até ser acordada pelo barulho da família que volta da caminhada matinal.

Num final mais realista, Cachinhos Dourados sai correndo em pânico, para perplexidade dos ursos. Na versão politicamente correta, a menina loura se torna amiga do ursinho, num processo bem sucedido de inclusão.

Câncer tem temas ligados à família e Chapeuzinho Vermelho é outro conto. Mamãe enviando doces à vovó por meio da netinha inocente que corre o risco de ser devorada pelo lobo mau.

Freudianos adoram interpretar temas cancerianos nos contos de fadas, encontrando explicações complexas para os diferentes personagens e situações.

Qualquer conto que aborde inveja entre as mulheres, como a relação da madrasta com a pobre Branca de Neve, estará tocando em temas cancerianos.

Na festa do nascimento da Bela Adormecida, a fada que não foi convidada amaldiçoa a menina, o que significa que é melhor enfrentar nossos demônios, do que fazer de conta que eles não existem, pois acabarão por se fazer presentes.

Se tivessem enviado um convite formal ela não teria feito tanto estrago. Apareceria mal vestida, cheirando a enxofre, torceria o nariz para os docinhos…mas não haveria motivo para estragar a festa condenando o bebê a um sono profundo aos 15 anos.

Nossa tendência é sempre fazer de conta que demônios não existem, sobretudo aqueles que habitam nossos porões pessoais.

Escorpião – Paixão, morte, transformação. O Soldadinho de Chumbo é uma história linda, que termina com o soldado e a bela bailarina ardendo na fogueira, fundidos num coração.

Toda a historia que mostra transformação, morte e renascimento, toca nos temas de Escorpião. A maldição da fada má da Bela Adormecida não é diferente, mas como acontece numa festa familiar, toca também em um cenário canceriano.

A quebra de encantamentos, como o conto do sapo que se transforma em príncipe através do beijo de uma mulher, é da essência de Escorpião.

A história mais conhecida nas telas de cinema, desenhos animados, ou palcos de teatro, é a Bela e a Fera. A jovem que se entrega à Fera no lugar do pai, acaba descobrindo um amor pelo estranho ser e ao beijá-lo o encanto se quebra, revelando o príncipe.

Um amigo diz que existe um pouco da “Síndrome de Estocolmo” na história, ou seja, a vítima que se apaixona pelo algoz, mas psicólogos junguianos diriam que quando integramos nosso lado mais sombrio e rejeitado, recuperamos nossa integridade, o tal self, a união do Yin e do Yang dentro de nós.

Seja como for, alquimistas sempre se esforçaram por transformar o chumbo em ouro, o que não é diferente de beijar o monstro e torna-lo belo, assim como integrar nossos defeitos, reconhecer nossa sombra e enfrenta-la, ao invés de tentar jogar para debaixo do tapete.

Peixes – Renúncia e doação. Não consegui pensar em outro conto que não fosse A Pequena Sereia, que salva um príncipe de um naufrágio e por ele se apaixona.

Desobedecendo ao pai, ela procura uma feiticeira que lhe dá pernas de mulher, mas avisa: é preciso que o príncipe se apaixone por ela para que ela possa realmente se transformar em uma pessoa de verdade e mesmo assim, terá terríveis dores nas pernas para o resto da vida.

Caso o príncipe não se apaixone por ela, ao primeiro raio de sol ela será transformada em espuma do mar.

O príncipe já amava outra pessoa, envolvido com a jovem que cuidara dele depois do naufrágio e com quem vem a se casar. As irmãs da pequena sereia cortam os cabelos em troca de um punhal mágico que a feiticeira lhes entrega.

A pequena sereia teria que matar o príncipe para poder recuperar sua vida e condição de sereia. Boa e apaixonada, a sereia não suporta essa ideia. Rejeita a possibilidade e aguarda pelo raiar do sol, se entregando ao mar na forma de espuma.

A Pequena Sereia é um conto de Andersen, menos conhecido por aqui do que os Irmãos Grimm. Hans Christian Andersen escreveu vários contos, escrevia muito por encomenda, para que os contos fossem dados de presente para crianças no aniversário delas, ou em ocasiões especiais como saraus, onde eram lidos junto com obras de outros autores.

Nem todos tinham final triste. É o autor do Patinho Feio e do Soldadinho de Chumbo. Andersen era nascido em Áries, com Lua em Touro, Vênus em Peixes em trino com Netuno em Escorpião.

O melhor de seus contos é “A Sombra”, onde conta a história de um filósofo que, irritado numa tarde de verão, manda embora a sua sombra projetada na varanda da casa. A sombra obedece e vai embora, retornando anos depois…Nada mais escorpiônico…

Uma curiosidade: a fada Sininho, na história de Peter Pan, é na verdade – no texto original do autor – uma bruxa feia, suja, descabelada e desdentada. Nada parecida com a criação light de Walt Disney , mignon e oxigenada.

O que importa é saber que os contos de fadas continuam tocando em questões das nossas vidas e retratam dilemas, desafios, desejos e possibilidades. Também retratam dores e frustrações, pois é a soma de tudo isso que se chama Vida.