Trânsito de Plutão sobre Capricórnio

Postado em 27 de novembro de 2011 por Andreia Modesto

Eu já sei das tempestades e fico excitado como o mar. E me expando e me dobro para dentro e me arremesso e estou totalmente só na grande tempestade”. Rainer Maria Rilke

Pai, pilar, proteção. Podem ser palavras associadas ao signo de Capricórnio, terceiro signo do elemento terra, que muitas vezes pode pecar pela rigidez. Capricórnio é representado na Astrologia pela imagem da cabra teimosa que não desiste até chegar ao topo da montanha, solitária, encontrando motivação em si mesma sem nenhum espaço para dúvidas.

A passagem de Plutão pelo signo de Capricórnio traz fragilidade para as figuras que representam autoridade e poder para nós. Alguns capricornianos se decepcionaram com os mentores, professores ou com o próprio pai; outros viveram a doença ou a perda de figuras queridas que de alguma maneira poderiam representar amparo e estrutura.

Capricórnio pode descobrir (mais uma vez) que está sozinho, tendo que se apoiar em si mesmo e lidando com situações sobre as quais não tem muito controle. Podem perder o poder (um cargo ou função profissional ou a saúde), desistindo de alguns projetos de vida e tentando algo diferente numa direção até agora desconhecida.

O signo que gosta de saber em que terreno está pisando, pode se sentir que os pés escorregam num lamaçal. Se os filhos de Saturno tiverem o Ascendente em Aquário, Peixes e Áries, estarão vivenciando crises ainda maiores. Dependendo do grau do Ascendente, ainda se deparam com Netuno e Urano que também representam transição. A frase que abre a postagem se refere mais às sensações que Urano e Netuno transmitem porque a sensação de Plutão pode ser de desintegração. Escolhi a carta da Torre para ilustrar a postagem porque acho que ela reúne as características de Plutão, Urano e Netuno.

Netuno é mais sutil mas Urano representa o vento forte que anuncia uma nova etapa de vida onde se pode demorar a encontrar espaço para a segurança. Plutão, Urano e Netuno são planetas de destino. Urano especialmente nos empurra para a frente e mostra de forma clara que é preciso tentar novas oportunidades.

Não são planetas de conforto. Se estrutura é a palavra-chave de Capricórnio, as palavras de Plutão, Urano e Netuno são: transformação, renovação, quebra, ruptura, dilaceramento. Algo novo precisa ser experimentado. É preciso dar espaço para as novidades mas ninguém vai ter certeza de nada por um bom tempo à frente.

Tem uma coisa interessante porque experiências que poderiam ser consideradas “fáceis” como o aprendizado de um novo idioma, podem representar um processo de transformação plutoniano. Uma língua é uma forma de pensar e abordar a vida. A estrutura das frases, se o adjetivo vem antes ou depois, onde é que se coloca o verbo, quando é que se abre ou se fecha mais a boca? Isso tudo pode doer um bocado se você já tinha se estruturado em um ou dois outros idiomas. Vai ter que desorganizar tudo e começar do zero.

Esses planetas podem produzir efeitos sobre o corpo físico. Urano traz a irritação e a insônia. Plutão pode gerar dores espalhadas por todo o corpo e oscilações de humor, choro misturado com explosões de raiva e momentos de cansaço e impotência. Netuno pode gerar preguiça e desânimo.

São as traduções negativas pois também podem gerar motivação e sobretudo Urano pode trazer uma carga maior de energia física que leva para os exercícios, caminhadas, a dança, vida social e muitas viagens. Netuno pode despertar dons e talentos artísticos e Plutão traz a coragem para procurar um terapeuta e tentar conhecer um pouco mais do mundo de dentro.

Capricórnio pode ter embates com os chefes e pensar num re-direcionamento de carreira, o que nem sempre agrada ao signo que gosta de ter tudo muito bem planejado.

Para conseguir lidar bem com tais planetas, é preciso alguns ingredientes: total confiança na vida e o reconhecimento de que toda a crise é positiva. Se existir o medo e a tentativa de se apegar a um cenário anterior de trabalho ou a valorizar pessoas e situações “antigas”, a dor e a dificuldade serão muito maiores.

Alguns capricornianos podem se sentir “quebrar” ou “rasgar” por dentro. É nessas horas que fica fácil reconhecer aquilo que se chama destino, essa “força esquisita” que não permite que a nossa vontade pessoal se realize porque existe “alguma coisa muito maior” atuando nesse momento.

É bobagem querer racionalizar. É melhor aceitar a ruptura com o passado. Se a sensação for de desorientação, é hora de procurar um astrólogo ou um psicólogo para reorganizar a mente e tocar a vida para a frente. Afinal, “aquilo que é o fim para a lagarta, para o mestre, é uma borboleta” (Richard Bach).